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Necessitamos de mais médicos - parte 2
Marcelo Appel
13
Ago
2013

Necessitamos de mais médicos? – parte 2

 

Há aproximadamente um ano escrevi neste espaço uma crônica que falava sobre a “falta de médicos” que “assolava” nosso país (ver coluna de 4 de Maio de 2012 – íntegra ao final do texto).

 

Pois bem, aqui estou novamente para tentar entender o por quê de a cúpula do governo brasileiro querer insistentemente importar médicos do exterior para “sanar nossa insuficiência no setor”.

 

Vamos aos fatos.

 

Primeiro, baseado em números do artigo em questão (fontes do Ministério da Saúde e da Associção Médica Brasileira – AMB) não temos médicos a menos, mas sim médicos mal distribuídos regionalmente. Nosso número de médico por habitante está dentro dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde e o nosso número absoluto de médicos é simplesmente o quinto em nível mundial. Faltam médicos no interior pela pura falta de estrutura e condições de trabalho. Pelo sucateamento total das estruturas hospitalares, onde falta desde monitores cardíacos até luvas de procedimento. Pelo descaso criminoso com a população que é colocada em cantos, macas, no chão, à espera de um atendimento de nunca vem. Quem dirá um atendimento de qualidade.

 

Segundo, se realmente fosse esse o problema (médicos a menos) como prega nossa “presidenta”, por que importá-los de um país como Cuba? Nada contra Cuba ou contra os cubanos, são até por sinal muito simpáticos, mas a medicina praticada lá já não é melhor que a nossa há tempos.

 

Por que não importar médicos dos Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, países sabidamente em melhores condições de saúde que o Brasil, com sistemas de saúde eficazes e com produção científica excelente no mundo acadêmico.

 

Vamos importar os melhores!

 

Ah, mas tem a barreira da língua............mas com os cubanos também! Vamos então importar médicos de Portugal!

 

Pra quê?

 

Para daqui a um, dois anos serem eles que demandem melhores condições de trabalho e melhor remuneração nas ruas?

 

Enquanto nossos governantes não desenvolverem um projeto de saúde decente em nível federal, estadual e municipal; enquanto não entenderem que com saúde não se brinca e quem trabalha com responsabilidade tem que ser remunerado coerentemente; enquanto nossas instituições públicas de saúde não reunirem um mínimo de condições para um atendimento adequado de nossos pacientes, não adianta importar médicos! Menos ainda que não falem a nossa língua!!

 

“Do jeito que as coisas andam, seria bem melhor importar políticos do que médicos.”

 

 

Segue aqui o texto de Maio /12

 

“Quando se coloca em discussão a qualidade da saúde brasileira, observa-se a falsa necessidade de formação de mais médicos. Na verdade, o que realmente necessitamos é o melhor posicionamento do profissional médico no mercado de trabalho, sua maior capacitação técnica e a “interiorização” dos recém-formados e especialistas. Estes fatores repercutem diretamente na concentração e disponibilidade de médicos nas diversas faixas territoriais do nosso país.

 

Em números absolutos, o Brasil conta com a quinta maior população de médicos do planeta, com 371.788 profissionais, atrás somente de China (1.905.436), EUA (793.648), Índia (640.801) e Rússia (614.183) e os médicos brasileiros representam 4,05% da população médica mundial e 19,2% da população médica das Américas.

 

São números bastante robustos, mas que parecem ser insuficientes quando se constata a precariedade do atendimento médico no país e a dependência da população do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Por sua vez, a baixa remuneração oferecida pelo SUS e a precariedade na constituição dos contratos de trabalho com órgãos públicos tem afastado os médicos do serviço público. A falta de políticas específicas e um plano decente de cargos e salários faz com que a maioria dos profissionais opte por trabalhar no setor privado.

 

Esse fator gera uma inadequação do coeficiente “médicos formados x população atendida”, dando a falsa impressão da falta de profissionais no mercado.

 

O SUS paga ao profissional médico, em média, por um contrato de trabalho de 20 horas semanais, R$ 1.946,00 !!!

 

Enquanto não houver uma valorização do médico e um programa para inserção do mesmo no mercado de trabalho de maneira decente, organizada e eficaz, sua formação indiscriminada será nociva a nossa sociedade.”

 


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Marcelo Appel

Sobre

Formado pela UFSC. Residência em Ortopedia e Traumatologia na Clínica de Fraturas XV e Hospital Infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba - PR. Esp. em cirurgia do joelho, cirurgia do ombro e artroscopia no serviço Saint-Anne Lumière, Lyon - França. Afiliado internacional da Academia Americana de Ortopedia.



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